Quais as minhas impressões sobre o site Workaway depois de 6 meses de viagem.


  América do Sul, Lima, Valparaíso  2405 visualizações

Há seis meses estou viajando por países da América do Sul e em alguns países eu me retive por mais tempo para conhecer melhor o lugar e também para estudar espanhol. Como as aulas tem um custo geralmente alto, em torno de US$ 140 dólares por semana, eu optei, em algumas cidades, trabalhar em um sistema de voluntariado, onde eu troco horas de trabalho por habitação e uma refeição por dia. Desta forma eu economizo e consigo fazer minhas aulas e até quem sabe esticar um pouco mais a viagem.

Em esse período de seis meses eu trabalhei nesse esquema em três hostels. Um em Montevidéu, outro em Valparaiso e um aqui em Lima onde eu estou nesse momento. Das três experiências, onde eu busquei as oportunidades de trabalho no site Workaway eu considero que uma foi muito boa e as outras duas nem tanto.

Nesse momento eu tenho me questionado muito sobre o uso do site Workaway como uma forma legal e segura para procurar um lugar para trabalhar como voluntario. A minha questão é que eu acredito que o site poderia ser muito melhor e ter melhores ferramentas para essa busca. Um exemplo bem simples do que eu não gosto no Workaway é que em muitas vezes os hosts não respondem as mensagens enviadas pelos voluntários que estão procurando trabalho. Se o host está cadastrado no site, tem disponibilidade para as datas que você procura, por quê não respondem as solicitações? Isso acontece comigo e com outras pessoas com quem eu tenho conversado sobre o Workaway

Na minha experiência de trabalho em Valparaiso eu deixei o hostel depois de duas semanas de trabalho, sendo que eu havia acordado em ficar quatro semanas. Naquela ocasião o dono do hostel foi muito compreensível com a minha saída e inclusive me deu uma dica muito importante com relação a se comprometer por muito tempo em trabalhar em um lugar que você não conhece e com pessoas que você não conhece. Ele me disse que seria mais lógico se comprometer por menos tempo para sentir se o lugar e o trabalho estão de acordo com o que você esperava para depois esticar por mais tempo a sua estadia. No meu trabalho seguinte eu pedi para trabalhar por duas semanas e somente fiquei uma.

Em Valparaiso a questão foi muito pessoal. O hostel era muito bom e o trabalho super fácil, mas eu não curti muito o local onde o hostel estava (muuito barulho externo que começava logo pela manhã e se estendia por todo o dia) e tive problemas para me relacionar com algumas pessoas que trabalhavam comigo, por isso eu desisti. No outro caso, que foi em um hostel em Lima, eu aceitei trabalhar por duas semanas sem saber o que iria fazer e nem o horário. Quando eu cheguei no hostel fui avisada que faria limpeza, então eu entendi porque não queriam me dizer qual era o trabalho, porque ninguém quer fazer limpeza. É um trabalho pesado e muito cansativo, normalmente quando você termina já não tem mais forças para sair e nem para fazer mais nada, só quer desabar na cama e descansar. Outra coisa que também não me contaram e que eu só fui saber quando cheguei é que não teria nenhuma refeição inclusa, nem o café da manhá, somente a hospedagem.

Eu queria muito fazer aulas de espanhol em Lima, onde existem excelentes escolas com grupos de estudo mais avançados, mas o horário de trabalho era das 10:00 às 15:00 e com esse horário seria impossível frequentar as aulas. Por esses motivos eu avisei que não iria cumprir as duas semanas e só trabalhei por mais uma semana.

Nas duas vezes eu me senti péssima em ter que deixar o trabalho, pensei muito antes de me decidir e sempre me perguntava se não estava me precipitando ou sendo muito mimimi, mas depois que eu tomava a decisão e comunicava que iria sair me sentia a pessoa mais feliz do mundo por ter me livrado de um trabalho que eu não estava curtindo nem um pouquinho. E nos meus dois casos os motivos da saída foram bem light, conheço pessoas que deixaram o hostel por motivos muito mais sérios, como o caso de uma americana aqui em Lima que deixou o trabalho no mesmo dia que o dono do hostel gritou com ela.

E é aí que entra outro motivo pelo qual eu não tenho confiado muito no Workaway. Para cada host é possível dar o seu parecer sobre o host e como foi o trabalho, mas em contra partida o host também pode escrever sobre você. O que acontece é que as pessoas não mandam a real com medo de sofrer uma represaria do outro lado e os comentários acabam sendo não muito sinceros e muito menos confiáveis. Então quando procurar por trabalho no Workaway você terá a impressão que tudo é mágico e todas as opções são incríveis, mas na verdade eu tenho lido os comentários com certo sentimento de incredulidade e tento procurar entre linhas se não existe alguma coisa errada.

O que tem sido muito válido para mim é estar em contato com outros voluntários e trocar experiências, principalmente sobre bons lugares e bons hosts. Assim quando alguém já trabalhou em um hostel em alguma cidade para onde vou eu anoto as informações e entro em contato direto para pleitear uma vaga.

Eu sinto que o Workaway não tem sido um sistema ideal para a procura de empregos voluntários e como o sistema é pago eu fico imaginando se outros sites concorrentes como o Wordpackers são a mesma coisa ou melhores.

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COMENTÁRIOS:

Raphael Pascon

Raphael Pascon comentou 2 anos atrás

Gostaria de saber um pouco mais quanto aos gastos dessas viagens... é bastante?

Analúcia Batista

Analúcia Batista comentou 2 anos atrás

Oi Rafael. Eu juntei 50.000,00 reais e com a venda do meu carro consegui economizar mais 10.000,00 reais. Esses 10 mil reais estão guardados como um tipo de reserva, que servirá para um problema no meio do caminho ou para a volta ao Brasil. Dos 50 mil eu dividi por 12, então para cada mês eu tenho um orçamento de 4.000,00 reais. Tenho uma planilha no meu celular onde eu lanço os gastos diários, assim tenho um controle dos meus gastos até chegar aos 4 mil. Este valor tem sido mais do que o suficiente por mês e na verdade tem até sobrado. No inicio eu gastava mais, não sei se era porque eu não tinha muita experiência ou se era porque nos primeiros 4 meses eu estava visitando países mais caros como Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. Depois que comecei a viajar da Bolivia para cima os meus gastos cairam bastante. Agora, por exemplo, estou no Ecuador a um mês, já fiz 3 semanas de aulas de espanhol, não trabalhei como voluntária em nenhum hostel e os meus gastos foram menos de 3000,00 reais. Qualquer outra dúvida é só me mandar. Um abraço.

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