O que REALMENTE é ser Au Pair


  Estados Unidos, Long Island , Nova York  3721 visualizações

Quando eu digo realmente é porque a maioria das coisas que encontro sobre Au Pair são dados técnicos do programa (se você nunca ouviu falar, Au Pair é um programa de intercâmbio onde você vai morar na casa de uma família para ser babá dos filhos). Mas ser au pair vai muito além de requisitos e formulários. Segue o relato da minha experiência.

O Au Pair apareceu pra mim depois de um período de deprê pós-formada, sem emprego, sem rumo na vida e com uma vontade absurda de ir embora. Foram meses de pesquisa sobre intercâmbio, pouco incentivo, momentos que eu quis desistir, até que achei esse programa que cabia no meu bolso, me sustentaria com o trabalho, me permitiria estudar e, claro, eu adoro crianças! 

Tinha Au Pair na Espanha, França, Alemanha e EUA, e eu sempre quis ir pra Europa, mas quando vi o custo x benefício foi um balde de água fria. EUA era muito mais vantajoso, e eu não tinha a menor simpatia pelos EUA. Escolhi pelo que era viável, mas escolhi contrariada e nunca esqueço que a minha agente aqui do Brasil me disse "Eu sei que não é bem o que você queria, mas acho que você vai se surpreender com os EUA".

Decisão tomada, começou a correria: pesquisar agências, preencher mil documentações, tirar passaporte, visto e aguardar a família. Esperei cerca de 5 meses até fechar com uma família em Indianápolis que parecia ótima! 

Eu nem me lembro com que coragem eu fiz as malas e embarquei, já que naquela época eu era super dependente e medrosa. Mas fui. E chegando lá, algo parecia estar MUITO ERRADO. A casa era uma bagunça, os pais eram esquisitos e as crianças terríveis. Só obedeciam se você gritava com eles (ordens dos próprios pais) e ainda eram cleptomaníacos. Sim, cleptomaníacos. Várias coisas minhas sumiram até que tive que colocar tranca no meu quarto (de novo: ordens dos próprios pais). 

Foi um pesadelo. Eu falava pra agência, a família amenizava dizendo que não era bem isso. Eles não costumam trocar a Au Pair de casa antes dos primeiros 3 meses, porque é preciso considerar um período de adaptação, mas tive tantos problemas que me concederam a troca de família em 1 mês. 

DEUS ESCREVE CERTO POR LINHAS TORTAS

Independente de religião, tem coisas que acontecem na vida que não acho possível que sejam coincidências, e essa foi uma delas: Na mesma semana que a troca de família foi concedida pra mim, uma família em Long Island estava sendo deixada por uma Au Pair que simplesmente desistiu de ser babá e os deixou na mão com um menininho de 2 anos e um bebê recém nascido. Eles precisavam de outra Au Pair com urgência, e a Au Pair tinha que ser brasileira, pois a mãe das crianças é brasileira e queria alguém pra falar potuguês em casa, e... a agência me indicou! 

Assim começou a história de amor mais linda que eu já vivi. No momento que eu pisei na casa, eu me senti em um lar. Em uma semana eu estava completamente apaixonada pela minha nova vida. Por quase 2 anos vivi muito amor e muita aprendizagem.

Helô Cassanho adicionou foto de Estados Unidos,Long Island ,Nova York Foto 1 

Claro que teve momentos difíceis, dias cansativos, saudade de casa, inseguranças. Mas encarei tudo isso como experiências de crescimento. Hoje, 5 anos depois de ter voltado, acho que os pontos mais importantes sobre ser Au Pair são:

VOCÊ REALMENTE TEM QUE AMAR CRIANÇAS

Teve muita coisa boa no intercâmbio, mas é preciso lembrar que a maior parte do tempo eu passava com os meninos. Trocar fralda às 5h da manhã ou lidar com chiliques pra comer ou guardar brinquedos não é exatamente o que aparece no facebook de uma au pair, mas é seu trabalho. As crianças são sua rotina, você está indo para outro país para estar com crianças. Além disso, elas vão aprender com você, logo, precisam de um bom exemplo de conduta e caráter, você vai passar isso pra elas.

VOCÊ VAI REVER SEUS MEDOS (E NOJOS)

Sentir medo nesse processo é normal, um dos meus maiores medos era enfrentar as coisas sozinha, mas o intercâmbio me fez dar importância para os momentos de solidão. Eles são necessários, e hoje aprecio muito fazer coisas sozinha. Eu também fiquei bem preocupada quando soube que ia cuidar de um bebê. Ele parecia tão frágil, tão dependente... E a responsabilidade era toda minha! Mas foi só começar a conviver com meu babynho que o medo se transformou em amor, sem fazer muito esforço.

Ah, os nojos também mudam! É tanta fralda, xixi, cocô, vômito, catarro e saliva que tem que lidar, que chega uma hora que nem importa mais... O nojo precisa virar praticidade!

NÃO SUBESTIME A IMPORTÂNCIA DO IDIOMA

Ainda bem que minha mãe me obrigou a estudar inglês desde cedo e eu já me comunicava bem quando fui pra lá. Nem imagino como teria sido passar por todo aquele perrengue com a outra família sem conseguir explicar o que estava acontecendo. A outra vantagem foi poder estudar design em vez de inglês, e melhorar meu currículo profissional. Estude antes de ir!

TRACE OBJETIVOS FINANCEIROS

Conheci muitas Au Pairs que compravam Michael Kors e Calvin Klein, saíam pra balada todo fim de semana, comiam em restaurantes caros. Ok, se é isso que você quer. Mas garanto que dá pra aproveitar muito mais se você souber poupar. Como nos EUA nada se parcela, você se obriga a guardar dinheiro pra fazer qualquer coisa. Eu colocava os estudos como prioridade. Depois disso as viagens, e por último as compras (que na maioria das vezes eu fazia em brechós e aproveitando promoções de lojas populares). Não voltei pra casa com nenhuma bolsa de luxo, mas voltei com muitas experiências inesquecíveis.

Helô Cassanho adicionou foto de Estados Unidos,Long Island ,Nova York Foto 2

AUTO-RESET

Considero o intercâmbio uma oportunidade maravilhosa pra dar um "reset" nos velhos hábitos e reavaliar todos os seus valores. Outro país, com outros costumes, outra língua, onde ninguém te conhece: está aí a ocasião perfeita para observar, aprender e se adaptar. Acho que no fim das contas, toda essa mudança faz você se redescobrir, e no meu caso, foi pra uma versão melhor de mim mesma. Voltei muito mais madura, corajosa, independente, segura.

O MUNDO VAI FICAR PEQUENO

Não foi nada fácil voltar pra casa depois de quase 2 anos sem pisar no Brasil. Você muda muito, e quando volta, tudo está quase a mesma coisa e parece que você não se encaixa. Até hoje acho que não me adaptei completamente, mas aprendi a não deixar passar nenhuma oportunidade de viagem. É quase uma obrigação continuar saindo pelo mundo.

Eu particularmente, volto todos os anos pros EUA porque não suporto ficar longe do país que foi minha casa (sim, eu me surpreendi e me apaixonei pelos EUA), da família que me trata como filha, e os meninos, meu Deus, é tanto amor que nem saberia descrever. É como seu fossem meus filhos também. Eles ganharam um irmãozinho depois que eu tinha voltado, que eu amo tanto quanto. 

                  Helô Cassanho adicionou foto de Estados Unidos,Long Island ,Nova York Foto 3Helô Cassanho adicionou foto de Estados Unidos,Long Island ,Nova York Foto 4

Ano após ano eu continuo viajando, aprendendo, amadurecendo e sei que devo muito à experiência do intercâmbio, que me mudou pra melhor. Ser Au Pair foi uma das melhores decisões que tomei na vida, e pra quem pensa em fazer o mesmo eu digo: vaaaaii! :)

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COMENTÁRIOS:

Lina Ramos

Lina Ramos comentou 2 anos atrás

Helo. Amei o seu post. Eu não sabia o que era au pair. Deve ter sido uma experiência bem legal. Tirando o início dela, hem? Meu filho morou dois anos na França e quando ele voltou, também se sentiu um peixe fora d`água, tanto é que não mora mais comigo. Acostumou a viver independente dos pais (buá). E quando aos Estados Unidos... sabe que eu tinha a mesma visão que você no início. Era meio relutante... mas depois que "mochilei" para lá, passei a ver os Estados Unidos com outros olhos e sei lá... a gente acaba se encantando, né. Amei o post. Beijao

Joao Vedovello

Joao Vedovello comentou 2 anos atrás

Parabéns pelo post Helô! Tenho algumas alunas que foram ou estão no Au Pair e, na sua grande maioria, possuem experiências positivas. Que bom que você conseguiu resolver a primeira situação e encontrar uma outra família que lhe tratou como parte da família e auxiliou no seu desenvolvimento. Eu costumo dizer para todo mundo que os Estados Unidos é realmente surpreendente... depois que a gente conhece passa a entender e gostar de lá. Abraços!

Helô Cassanho

Helô Cassanho comentou 2 anos atrás

Lina, que bom que gostou! Foi uma experiência incrível sim, e até a parte ruim acabou sendo boa, pois se eu não passasse pela primeira família, não teria chegado na segunda... Pra mim, isso foi puro destino! :) Eu entendo seu filho, mas não se preocupe, a independência e a distância também trazem reconhecimento do quanto amamos nossos pais, rs! Que bom que gostou dos EUA também, se um dia precisar de dicas pra viajar pra lá é só me avisar! ;) Um beijão!!!

Helô Cassanho

Helô Cassanho comentou 2 anos atrás

Obrigada João! :) Acho que a maioria das Au Pairs acaba tendo uma experiência bacana, no mínimo de crescimento né! E sim, os EUA realmente surpreendem, nunca pensei que ia gostar tanto. Um abraço!

Beatriz Bougleux

Beatriz Bougleux comentou 2 anos atrás

Mto bacana seu relato. Compartilhei com uma amiga q está indo p os EUA em janeiro no msm intercâmbio que vc.

Helô Cassanho

Helô Cassanho comentou 2 anos atrás

Oi Beatriz, que bom que gostou! Espero que dê tudo certo pra sua amiga, bem como foi pra mim. Se ela precisar de dicas é só me escrever ;)

Luana Santos

Luana Santos comentou 2 anos atrás

Boa noite! Helô, por favor. Digamos que estou acrescentando está ideia para minha vida. Tenho algumas dúvidas. Existe uma idade especifica? Vc ficou 2 anos pois era o contrato e não tinha renovação? É fácil encontrar famílias de brasileiros pr este tipo de trabalho? É feito algum tipo de prova de linguagem? Obrigada!

Helô Cassanho

Helô Cassanho comentou 2 anos atrás

Oi Luana, tudo bem? Então, o ideal seria você entrar em contato com agências, porque às vezes tem coisas que mudam um pouquinho. Eu não recomendaria de forma NENHUMA você fazer o programa sem agência, porque se você tiver qualquer problema não vai ter ajuda. Quando eu fui, a idade mínima era de 18 a 26, pra ficar no mínimo 1 ano, e podendo renovar por mais 1. Normalmente se faz um teste de inglês antes de ir (como eu disse, é importante você conseguir se comunicar para seu dia-a-dia ser mais tranquilo), e quanto à família não é você que escolhe, é a família que escolhe você, então pra achar uma com brasileiros iria muito da sua sorte. A minha família era meio a meio, meu host é americano, mas amo ele como um segundo pai, e é interessante também, pois você aprende os costumes de outra cultura com os americanos. Se você quiser, me mande um e-mail que eu mando o contato da minha agência pra você! É: [email protected]

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