Dachau, o primeiro campo de concentração da Alemanha Nazi:


  Dachau, Alemanha, Bavaria  1408 visualizações

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Dachau foi o primeiro Campo de Concentração que eu visitei e não sabia bem o que esperar. O que vi e senti durante a visita esteve completamente fora dos limites do que eu podia algum dia ter imaginado. Aquele lugar ficou em minha mente durante muitos dias.

Foi o primeiro campo criado pela Alemanha Nazi, em Março de 1933, por Heinrich Himmler, como um local para prisioneiros políticos, transformando-se em campo de extermínio anos mais tarde e serviu de modelo para outros campos, sendo o único que existiu durante todo o período nazista.

Estima-se que mais de 200.000 prisioneiros passaram por Dachau. Hoje, é um assombroso memorial para os milhares de presos que aqui morreram e mais do que isso, é uma lembrança viva desses anos escuros, aterrorizantes.

Serviu também como centro de treinamento para a SS – guarda de elite do partido nazista e seu principal instrumento de controle, onde jovens recrutas eram incentivados e encorajados a torturar, humilhar e matar os prisioneiros. Por conta disso, Dachau ficou conhecido também como “Academia do Terror”.

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Quando me vi diante do icônico portão de Dachau com os dizeres, “O trabalho liberta”, eu estremeci. Um deboche dos nacional socialistas com os trabalhadores escravizados. A viagem estava começando. Após aquele portão estava um passado de terror e sofrimento imensuráveis, indesculpáveis.

O Bunker é local insalubre, com cheiro de mofo, sombras e luz pálida. Um lugar de tortura e condições sub-humanas, formado por celas individuais, salas de interrogatório e as outstanding cells, celas onde o prisioneiro tinha que ficar de pé, às vezes por dias.

Os gritos não eram incomuns naquele lugar, muito menos a escuridão, a falta de comida e o uso do pole-hanging.

Os dormitórios estavam longe de serem locais de descanso, sendo, ao invés disso espaço de abuso e humilhação. A rotina era determinada pela SS, incluindo a limpeza e arrumação das camas, tarefas que eram usadas para mais tortura e degradação, pois havia uma metodologia quase impossível de ser seguida, justamente para a promoção de mais crueldade.  A superlotação causava mortes por doenças como tifo, pelo frio e pela subnutrição.

Muitas experiências absurdas foram realizadas aqui como exposição dos presos a baixas pressões, hipotermia, ensaios humanos. Bordeis foram montados e mulheres submetidas a humilhações. Hoje o que vemos nesse local são templos religiosos: judaico, ortodoxo russo, católico, entre outros. Uma tentativa de limpar o solo, o ar, a energia.

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O arame farpado indicava a divisa permitida aos prisioneiros. Dali eles não podiam passar. Havia vigilância constante para garantir que eles não ousassem atravessar a fronteira. Naquela cerca estavam os confins do mundo daquelas pessoas.

O edifício onde está alojado o crematório é composto de algumas salas interligadas, atualmente todas nuas. 

A primeira em que entramos era utilizada para armazenar os corpos que vinham do campo de prisioneiros, que ficavam amontoados antes de serem cremados. Eram muitos! Pessoas, vidas, sonhos, dignidades foram atirados nessa sala. Faltou-me ar, sobraram lágrimas.

Em seguida passamos ao crematório, onde pudemos ver quatro fornos, dispostos lado a lado. Cada um deles podia incinerar de três a quatro corpos de uma única vez. Eles eram conectados as chaminés por canais subterrâneos.

A sala de despir era o local onde as vítimas eram obrigadas a deixar todas as suas roupas, desnudando-se completamente antes de entrar na câmara de gás, que era, de maneira dissimulada, chamada de “chuveiros”, para que não houvesse resistência por parte das vítimas. 

A câmara de gás era equipada com falsos chuveiros: naquele recinto, durante 15 ou 20 minutos, cerca de 150 pessoas poderiam ser sufocadas até a morte, de uma única vez. Mesmo sabendo que aquela câmara de gás não foi utilizada em larga escala, estar ali dentro talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis de toda a visita.

O museu possui um acervo espetacular com fotos e fatos que nos contam detalhadamente (em inglês e alemão) esse filme hediondo que foram os anos em que o NSDAP dominou a Alemanha. Os cartazes e fotografias ajudam a compor o cenário e devo dizer que não foi fácil estar diante de tudo aquilo. O museu dá cara ao terror ao nos mostrar a face das vítimas. 

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Isso é só um pouco do que Dachau nos mostra, mas há muito, muito mais que ver, sentir, absorver por lá. Essa é uma viagem individual, que cada pessoa vai sentir de uma maneira, mas eu espero que todos sintam, para que diante de assombroso espetáculo, possamos nos tornar mais humanos.

Esse lugar é dono de uma tristeza que arrepia o espírito, que nos verga, nos coloca de joelhos, com as mãos na cabeça em total estado de perplexidade. Nada daquilo parece real e, no entanto Dachau invade cada poro de nosso pensamento, presente e futuro, deixa sua marca.

Sofrimento e sadismo em doses cavalares foram sempre a temática dentro daquelas fronteiras por longos dias, semanas, anos, por um tempo que deve ter parecido interminável para aqueles que ali foram atirados, jogados, onde a violência era exercida desmedidamente, sem critérios, controle ou qualquer tipo de limite e o sinistro, o fúnebre, o tétrico, o doloroso ditavam o ritmo daquele lugar sombrio: era melhor morrer ou viver um dia mais?

Por todos os lados de Dachau, eu pude ouvir o sussurro e o lamento daqueles que ali pereceram e daqueles que sobreviveram, pois a energia de todos os que passaram por lá está impregnada naquele solo, naquele campo, pois ali deixaram sua dor, seu sangue.

As suas memórias e padecimento devem permanecer circulando pelo tempo necessário de virarmos seres humanos. Essa história, que pertence a todos nós, ainda será muito contada e repetida para que o futuro não nos traga novos equívocos.

Que haja por aí, entre nós, uma paz dormente, pronta para acordar e ser espalhada pelos quatro cantos do mundo. Só então poderemos enterrar o passado, deixar essa história como um antepassado morto, cuja crueldade é apenas uma lembrança de cores pálidas, quase como um espectro, porque então vibraremos amor e seremos civilizados.

Este texto na íntegra pode ser lido no: 

https://espiandopelomundo.blogspot.com.br/2016/10/dachau-o-primeiro-campo-de-concentracao.html

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COMENTÁRIOS:

RUTECN

RUTECN  comentou 3 anos atrás

Você expressou bem meu sentimento perante esse capítulo negro da história da humanidade.

Rosana Oliveira

Rosana Oliveira comentou 3 anos atrás

Nossa muito bom....visitei auschwitz e birkenau na polonia, e não sabia desse na alemanha, com certeza está na minha lista, obrigada por postar esta sua experiencia.

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo)

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo) comentou 3 anos atrás

Oi Rute... Obrigada! É mesmo um capítulo negro da história da humanidade, como você bem disse. Os memoriais, antigos campos de concentração, estão aí para isso mesmo: não deixar que esqueçamos! bjs

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo)

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo) comentou 3 anos atrás

oi Rosana! Obrigada! Ainda não estive na Polônia, mas pretendo ir e visitar outros campos. Não são visitas fáceis, não é mesmo?! Imagino que Auschwitz deva ser ainda mais forte, mais triste. beijos

Rosana Oliveira

Rosana Oliveira comentou 3 anos atrás

realmente ...é bem impressionante, mas eu adoro essas visitas que fazem parte da nossa história... acontecimentos que estudei na época da escola, que vi em filmes....é a nossa cultura...

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo)

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo) comentou 3 anos atrás

Concordo plenamente Rosana! Eu tb adoro! Em muitas viagens inclusive, eu busco essas referências históricas! bj Ana

Higor Andrade ( cariocaspelomundo.com )

Higor Andrade ( cariocaspelomundo.com ) comentou 3 anos atrás

Ainda não tive a oportunidade de visitar um campo de concentração, mais já li muitos relatos e todos eles só reforçam que essa é uma experiência que todos deveriam conhecer...acredito que é uma oportunidade de nos tornarmos mais humanos e perceber que a humanidade precisa de amor para evoluir. Parabéns pelo relato, pois me transportei através das suas palavras por um instante para este acontecimento tão cruel da história.

Relatos de Viagem  - Laís

Relatos de Viagem - Laís comentou 3 anos atrás

Nossa, que forte isso tudo.. sem dúvidas é uma visita muito chocante.. obrigada pelo relato..

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo)

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo) comentou 3 anos atrás

Concordo plenamente Higor! Obrigada por ter lido e fico feliz que eu tenha conseguido te levar nessa viagem tão dura, mas em minha opinião, ainda necessária. Ana

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo)

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo) comentou 3 anos atrás

Obrigada você Lais, por ter lido, comentado e viajado comigo! É mesmo doído estar em um campo, porque parece impossível, mas todo aquele horror foi real, e aconteceu há muito pouco tempo. Ana

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