Viajantes: protagonistas de suas experiências


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Quem me conhece sabe muito bem que sou muito observadora e quando viajo, além de reparar nos aspectos físicos e culturais dos locais por onde passo, gosto muito de observar o comportamento das pessoas que moram ali, mas também daquelas que estão viajando. O que me provoca e instiga é imaginar os tantos porquês e as mais diversas motivações que as levaram até ali. Penso, logo reflito: qual a visão de mundo que essas pessoas querem construir com a viagem que escolheu como sua?

É no aeroporto ou na rodoviária que começo a tecer minhas observações. Vejo pessoas fazendo selfies e check in em seus smartphones nos terminais de passageiros. Comportamentos que de alguma forma, marcam o início de uma trajetória. Porém, ainda percebo que as fórmulas engessadas de viagens ainda persistem em levar as pessoas para os mesmos lugares, para os mesmos roteiros, muitas vezes “tão batidos’ que a piada do guia acompanhante ou do guia local soa tão fake. As mesmas fotos, as mesmas poses, os mesmos cenários, uma superficialidade que muitas, mas muitas vezes me incomoda. Ao mesmo tempo, vejo que há um questionamento desse turismo de massa, há   pessoas em busca da sua identidade, que se sentem desafiadas em olhar o outro (países, cidades, pessoas) do jeito que são: reais! Sem nenhum subterfúgio, maquiagem, ou tentativa de viver e conviver em uma realidade encenada. As vezes as tramas econômicas do turismo são tão fortes e corrompidas, que evidencia-se é o consumo pelo simples consumo de viajar e não a busca de experiências autênticas, edificantes e inspiradoras.

 Ao contrário da massificação da atividade turística, é preciso considerar que cada um tem uma maneira especial de sentir o mundo e as pessoas. Essas percepções começam a ser construídas lá no ventre materno e vão sendo moldadas nos contextos em que criamos nossas relações sociais. Dependendo de onde e de como fomos e estamos sendo construídos como seres humanos, aceitamos ou questionamos os padrões que nos sãos oferecidos: desde roupas, alimentos, até viagens.

No que diz respeito, as várias faces que o Turismo se manifesta, vejo também que há os colecionadores de destinos (no sentido quantitativo mesmo), os que caem na estúpida disputa de quem viajou para mais cidades ou países. No sentido inverso, o que me acalma e me acalenta é a existência dos viajantes. De uma maneira muito particular, gosto de me referir a eles como   protagonistas das suas experiências turísticas e guardiões da memória de seus trajetos! Sim! São esses viajantes que estão fazendo toda a diferença pois são generosos em compartilhar suas subjetividades, o seu olhar particular e aquilo que mais os tocou em viajar! Sim! São esses viajantes que inspiram tantos outros. Lembrando que inspirar não é copiar, é deixar se tocar pelos sentidos e a partir dessas narrativas construir, desenhar, planejar e executar a sua viagem! Não importando se é para perto ou para longe e sim colocar em prática aquilo que te move! Qual será seu próximo destino? O que te inspira? O que te identifica?

Renata Castro Cardias, Viajante, Consultora de viagens, Bacharel em Turismo e professora universitária na área de Hospitalidade.

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COMENTÁRIOS:

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo)

Analuiza Carvalho (Espiando Pelo Mundo) comentou 3 anos atrás

Oi Renata! Achei muito interessante a abordagem de seu texto porque vai de encontro a aspectos que venho pensando há muito tempo, a cada viagem que faço, a cada texto que escrevo, a cada conversa com amigos. Quem sou eu como viajante, como caminhante do mundo? O que levo e o que trago em minha bagagem? Tenho muita curiosidade sobre a motivação das pessoas ao viajar e busco observar e ouvir, mas confesso que às vezes tenho dificuldades em entender o que elas procuram e porque tem tanta resistência em se libertar de diversas amarras. Aqui devo dizer que muitos amigos meus também não entendem a maneira como viajo. Não quero dizer com isso que exista uma maneira certa ou errada de sair por aí ou que eu seja uma expert (longe disso, aliás), mas que percebo que muitas pessoas simplesmente não avaliam ou analisam que tipo de viajantes que elas são, o que querem, o que gostam. Simplesmente entram no hop on hop off que foi indicado, fazem check in e vão em frente. Tenho curiosidade sobre o olhar do outro sobre os lugares por onde andaram e quando os questiono simplesmente não sabem responder. Isso me deixa desolada. Como vou aprender? Por outro lado, parece que esta havendo um movimento em sentido contrário. Eu gosto (e muito) dos clássicos de uma cidade, mas procuro conhecer a alma deles, além da casca. Cada quilômetro percorrido é uma nova etapa de aprendizado e a estrada ainda é muito longa. Busco (especialmente em alguns blog) a diversidade. Fiquei muito feliz em ler seu texto porque me deu mais elementos de análise, avaliações, mais subsídios para pensar. Gosto disso. Obrigada! Ana

Pedro Ivo Farias

Pedro Ivo Farias comentou 3 anos atrás

"A forma mais elevada da inteligência humana é a capacidade de Observar sem Julgar"..

Pedro Ivo Farias

Pedro Ivo Farias comentou 3 anos atrás

“A vida não é encontrar a si mesmo. A vida é criar a si mesmo.” George Bernard Shaw Como diz um amigo, guerreiro : "Feliz aquele que se compraz no serviço do SenhorAmor e medita em tua Lei dia e noite. É como a Árvore plantada Na margem de águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais, as flores desabrocham ao seu redor E tudo que empreende, prospera! Uma fonte de Vida! Posso Ser o que Sou, Pois Jah É o Eterno que Somos. É ilusão procurar se completar, satisfazer-se fora de si mesmo, buscar como se estivesse perdido... Sabei que sempre terá sede aquele que não for uma fonte. Portanto não viva a vida, seja a Vida. Só há Uma Vida... e esta por Si só Vive..se Reconhece Completa e Feliz em SI mesma, a vida da gota de água da maré é a mesma de todo o mar.... Al Melech Neeman Selah ! (para todo o sempre)"

Renata Cardias

Renata Cardias comentou 3 anos atrás

Agradeço demais os comentários! São sempre edificantes e uma grande oportunidade de conhecermos outros pontos de vistas, assim como conhecer pessoas que tenham afinidade com a sua ideia! Um grande abraço Pedro Ivo e Analuiza Carvalho!

Jeannie Klein

Jeannie Klein comentou 3 anos atrás

Renata, totalmente excelente seu texto!!! Reflete aquilo que tem me provocado inúmeras reflexões. A mais constante delas é como as pessoas veem se confrontando e criando comparativos quanto as suas viagens. Onde? Qtos dias? Qual valor? Qual hotel? Quais restaurantes? Isso tem criado um efeito um pouco repulsivo a certos destinos e a falar sobre minhas viagens com pessoas próximas. Definitivamente, vivemos numa partida de futebol.

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