Porque eu amei a Turquia


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Acho que todo mundo já ficou instigado a conhecer algum lugar por "culpa" de um filme, livro ou comentário de algum amigo sobre o lugar. Comigo não foi diferente! Quando eu estava começando a cursar a faculdade de turismo, e o filme TROIA (2004) foi lançado, tinha o bonitão do Brad Pitt e eu tinha ouvido falar que era um bom filme. A curiosidade me fez pesquisar a respeito, e para a minha surpresa (pra não dizer ignorância) descobri que as ruínas de Troia não ficava na Grécia e sim na Turquia. OPA o que mais aconteceu por lá? Império Otomano, Constantinopla, invasão romana, e uma galera já quis dominar esse pedaço de mundo que ninguém sabe se está na Europa ou na Ásia. Nessa altura já rolava um “affair” sobre esse país, porque tudo parecia diferente da minha realidade, li sobre a história, sobre os podres e sobre atualidades, mas isso era muito pouco, era preciso ir lá "ver o que, que a baiana tem".

Quando você (uma brasileira, sem muita grana, estudante, meio criançona) diz que quer ir para um país como a Turquia, de maioria muçulmana, conhecida por certa intolerância e relativamente perto da confusão constante do oriente médio, as pessoas te chamam de doida (na cara mesmo! Sem rodeios), mandam você ir para países seguros como Espanha, França e Inglaterra. Por mais que você tenha personalidade forte, não pode deixar de no mínimo pesquisar a respeito do que acontece no mundo para não se meter em enrascadas, certo? Pois é, não foi o que eu fiz, pois se tivesse pesquisado teria ido antes para a Turquia. Só para situar na Espanha em 11/03/2004 atentado matou 191 pessoas e deixou 1876 feridos, e em Londres no dia 07/09/2005 um atentado matou 52 pessoas. 

Muito bem, mas e a Turquia a final?

A Turquia acabou acontecendo, com um roteiro particularmente incrível e adaptado ao longo do caminho, só um pouco mais tarde do que eu gostaria que fosse. Em 2012 aos 27 anos decidi que meu sonho não poderia mais ser adiado! A ideia inicial era ficar 15 dias na Turquia, 5 na Grécia e mais 7 na Itália (mas vamos focar na parte que é mais bacana na minha opinião, e deixar a Grécia e a Itália para outra hora).

Quando você vê seu avião pousando em Istambul, o coração quase sai pela boca, parece que você esta entrando num mundo diferente, não é exatamente voltar no tempo, é o inexplorado gritando e pedindo para você desvendar cada pedacinho desse mundo contado pelos livros de história das mais diversas formas. A sensação de estar lá me arrepia até hoje, logo você percebe que nunca mais será o mesmo, o cheiro de chá turco, as cores das casas, as roupas das pessoas, as lojas abarrotadas de lâmpadas e tapetes coloridos, transportes modernos te levando para ícones da história mundial e quando você menos espera é convidado a participar do cotidiano turco onde caixas de som espalhadas por toda a cidade pontualmente fazem um país inteiro parar para rezar. 

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Arquivo Pessoal: Vista do quarto de Hotel, A mesquita Azul.

Como se não estivesse maravilhada o suficiente, chego ao albergue que escolhi abro a janela e me deparo com um dos lugares mais visitados do país, a Mesquita Azul. Confesso que não é meu lugar favorito, porque apesar de linda e encantadora, quando a visitei eu não imaginava que certos hábitos pudessem não ser tão mal cheirosos. É que em respeito à religião, todos precisam ter as pernas e ombros cobertos, as mulheres também a cabeça, até ai tudo bem, mas ao entrar para não danificar o piso e os carpetes é pedido que tirassem os sapatos, aí é que mora o problema, por mais limpo e organizado que seja o cheiro de chulé estava impregnado!

Cheiros á parte, na mesma região de Istambul fica a Aya Sophia e é o ponto de partida para muitos roteiros turísticos oferecidos. Por sorte fiz amizade com 2 americanos que queriam muito fazer um cruzeiro pelo Bósforo, coisa que eu pobre mortal mochileira falida já tinha descartado, porque além de custar um pouco mais do que eu tinha planejado, imaginei que seria completamente sem graça, engano meu mais uma vez. Não deixe de maneira alguma de fazer esse mini cruzeiro, ele sai do porto de Eminönü próximo ao Gran Bazar (que também é parada obrigatória). Existem vários tipos de passeio (de 3 liras a 50 euros), eu paguei 30 euros e fiz um cruzeiro que parou no Farol da Donzela, passou pelo castelo Topkapi e mais alguns outros lugares, mas o barato mesmo é poder ver o limite entre a Europa e a Ásia, imaginar como deveria ser tudo aquilo nas tantas histórias que acompanhamos por filmes e livros, algo que hoje é "normal" e antes era uma aventura frenética com riscos mil.

Logico que toda viagem depende muito do tipo de viajante, do objetivo que se tem e quão interessado em conhecer algo além do que é mostrado pelos cartões postais do lugar a pessoa está. Se misturar ao "povão" faz diferença, e te leva além das aparências. Em uma noite fomos jantar em um restaurante "turístico", foi muito divertido, com pratos típicos e muitas risadas (gasto algo como 30 euros cada). O bacana mesmo foi em um dia de andanças por um bairro chamado Taksin (que é famoso pelas baladas e casas noturnas, mas durante o dia tem lojas luxuosas na parte mais rica e uns botecos mais povão para o outro lado), onde paramos para almoçar em um lugar eu diria até duvidoso, e para minha surpresa, com uma comida muito saborosa, que eu não sei até hoje direito o que é, e não me peça para lembrar o nome do lugar ou do prato que jamais saberei, e ao final foi servido um chá de maça excelente como cortesia por exatas 10 liras turcas para cada.

Istambul é só o início da mudança de olhares, quem visita Ankara, a capital da Turquia, conhece outro país. Diferente da cosmopolita Istambul, as pessoas tem mais dificuldade de se comunicar em outras línguas, mas nada que umas mimicas e um sorriso não ajudem. O ponto que me chamou mais atenção foi o Mausoléu de Atatürk, a entrada possui muitas estátuas de leões, como símbolo de proteção e rosas vermelhas e amarelas lindíssimas. Tudo lá é muito diferente do que se espera ver em um país com tanta história, algo com uma construção tão moderna, e traçados sem adornos e rococós não era a imagem que eu tinha criado. O que me mudou nesse lugar? A imagem ingênua de que todo turco é quadrado e vive só de seu passado.

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Arquivo Pessoal: O mausoléo

Minha visita foi em outubro de 2012, e presenciei manifestações extremamente organizadas e pacíficas com relação às decisões do governo turco quanto à guerra civil da Síria e a autorização ou não de criação de campos de refugiados. O que isso muda em você? Tudo! Aquele pré-conceito de que muçulmano é barraqueiro, turco é um bicho mão de vaca, e a ideia de que a guerra está lá longe... 

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Mas você segue viagem, de Ankara segui para Kayseri e Göreme para andar de balão na Capadócia, visitei o museu de céu aberto, fiz pequenas trilhas, me diverti com muitas pessoas que se aventuraram como eu nesses passeios doidos, mas a melhor risada foi de uma chinesa, que não sei o nome até hoje, ela não falava nenhuma palavra em nenhuma língua que não fosse chinês. Apanhou muito para se comunicar coitadinha, mas a única palavra que entendeu (que foi maquina de lavar) fez a felicidade da moça que começou a gargalhar de tão feliz em saber sobre o que se tratava o assunto, acho que devia fazer muitos dias ou semanas que não reconhecia nenhuma palavra dita a ela. Aí você pensa, moça doida não consegue se comunicar com nenhuma alma penada foi fazer o que ali? Ver o que, a baiana turca tem...

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Arquivo Pessoal: Passeio de balão em Göreme

Eu ainda estava no início da minha viagem dos sonhos e já não era mais eu, eu era um eu muito diferente e melhor, porque passei a tolerar mais coisas, as pessoas, e a entender que nem sempre o que você aprendeu como certo é efetivamente o correto.

Meu roteiro me levaria direto para Pammukkale, que é lindíssimo, e de lá para Izmir, mas novamente o caminho foi desviado, ainda bem, e conheci um casal de Australianos que iria seguir para Ephesus, local que eu tinha descartado da minha viagem porque imaginei que a essa altura já estaria cheia de ver museus e pedaços de coisas históricas estropiadas em razão do tempo.

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Arquivo Pessoal: Pamukkale final de tarde.

AINDA BEM que eu fui! Nada que eu havia visto é como Ephesus, novamente me vi em um lugar indescritível, apesar de muitos monumentos estarem deteriorados pelo tempo, terremotos e pelo homem, a biblioteca de Celso valeu todo o passeio. De quebra ainda fiz um amigo muito charmoso e galã, pena que não pude trazer pra casa, porque esse carinha era uma figura única.

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Meu amigo charmoso

Izmir é muito bacana, mas depois de tudo que havia visto, não foi tão sensacional, e só me deixava mais e mais ansiosa para conhecer o que me motivou a visitar a Turquia, Çanakkale, a cidade onde eu conheceria finalmente as ruinas de Troia.

Eu comecei o meu dia bastante animada, sabia que o ônibus que eu havia escolhido para subir ate a cidade seria um pouco demorado (algumas horas), eu pensei em ir dormindo já que acordei cedo, mas novamente você aprende coisas. Uma senhora turca decidiu conversar comigo o caminho inteiro, o problema é que eu não falo turco e ela não fala outra língua que não seja turco, nessas horas o que fazer? Com um pouco de mimica eu falei “no turkish, no turkish”, ela olhou, entendeu (tenho certeza disso) e continuou falando. O importante pra ela era conversar, se eu estava entendendo ou não era problema meu. Confesso que achei até divertido porque fiquei pensando o que se passava na cabeça dela, ou o que será q ela estava falando, lembrei da moça chinesa.

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Arquivo Pessoal: Çanakkale

Çanakkale deve ser esquisita para quem não buscou sua história antes de efetivamente conhece-la. Mas para quem imaginou a fonte da narrativa de Homero, se encantou com as ruinas que foram um marco para a história não só daquele país, mas de muitos outros como a vizinha Grécia, e buscou a vista que possivelmente eles teriam do mar, foi efetivamente um sonho realizado, um desejo conquistado, uma conclusão da busca por conhecer. A senhorinha tagarela que falava em turco achou que eu estava triste, mas estava emocionada. (haha...)

Esses relatos são pedacinhos do que trouxe da Turquia para mim, minha viagem foi muito mais do que eu pude descrever, e pode ser que a sua viagem pela Turquia não seja encantadora como foi a minha. Uma visita a Pindamonhangaba pode ter mais sentido que tudo isso que relatei, mas o que me encantou efetivamente foi o fato de ter conquistado um novo olhar sobre algo que existia tão longe e me transformou em alguém melhor e posso dizer que levo um pouquinho desse país comigo.

Eu voltaria para a Turquia? Com absoluta e total certeza! Me aguarde, eu voltarei!

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