Em um festival, alemães tentaram espiar as meninas no banho e tropecei no chão com cerveja quente


  Inglaterra, Alemanha  1534 visualizações

 Eu estava em um show na Inglaterra, com uma recém-conhecida amiga alemã (daquelas que se fazem em festival). Certa hora, ela me contou tudo sobre um festival muito famoso na Alemanha, o Hurricane, e me convidou para ir com ela.

 Ir a um festival era um objetivo do meu intercâmbio. Eu nem pensei duas vezes.

 Eu só tinha acampado dentro de escolas durante jogos universitários, uma experiência tranquila comparada a montar uma barraca em um gramado alemão, cercada por milhares de pessoas que não falavam a minha língua, dividindo a cabana com essa nova amiga que eu mal conhecia.

Mas por que não? Intercâmbio é para essas coisas.

 Chegou o dia de ir. O line-up contava com Florence and the Machine, Vaccines, Placebo e outras bandas de rock alternativo. Mochilões carregados (de comida, só pão de forma alemão, patê de tomate, salsichas), barraca dobrada, sacos de dormir enrolados, mais um casaco de última hora porque iria fazer frio.

Era final de junho e o tempo estava ameno, uns 15ºC, mas à noite a temperatura caía e uma chuva fraca insistia em anunciar que não iria faltar lama.

Pegamos um trem até a cidadezinha do festival, Scheeßel. De lá foram mais uns dois quilômetros de caminhada em meio a uma procissão de jovens com mochilões, cadeiras dobráveis e carrinhos de fabricação própria lotados de engradados de cerveja.

Como boa brasileira, eu estava preocupada com meus banhos e com a estrutura do festival. Chegando lá, percebi que a área dos chuveiros era uma espécie de barracão de lona com uma divisória no meio. Esquerda para meninas, direita para meninos. Os chuveiros ficavam em filas, sem nenhum compartimento individual.

Na única vez que tomei banho só conseguia ouvir gritos masculinos. O que eles diziam, não tenho a menor ideia. Melhor assim. É que os caras tentavam espiar por cima da divisória que separava as áreas de banho. Eles gritavam provocando as moças, que revidavam falando sabe-se lá o que. Não parecia muito cordial, mas qualquer coisa gritada em alemão parece a maior injúria do mundo.

Também me perdi de minha amiga e tradutora a caminho do show que mais queria ver, e saí correndo com uma lata de cerveja quente na mão. Ouvi os acordes da música de abertura, tentei ir ainda mais rápido. Não deu certo. Tropecei em algo e caí no chão. Levantei e continuei correndo, não dava para perder a música toda.

Ainda não contei da chuva torrencial no show do Alt-J. Já era noite, estava muito frio e toda aquela água não ajudava. Também não ajudava o grupo de adolescentes que tentava sem parar entrar na nossa frente.

Mas nem só de perrengues é feito um festival.

Ana Luiza Tieghi adicionou foto de Inglaterra,Alemanha Foto 1

 Fiquei emocionadíssima quando Noel Gallagher começou “Don’t Look Back in Anger”. Foi um show do Oasis enquanto a música durou. Eu queria aproveitar cada segundo.

O  momento em que pensei “isso é felicidade” foi no show do George Ezra. Eu, sentada na grama, a música boa, o clima ameno, o solzinho batendo na pele, a cerveja fazendo efeito, as pessoas curtindo. Foi um ápice de harmonia que acredito ser exclusivo de festivais.

 Para finalizar, no show da Florence, um cidadão desconhecido me olha e pergunta: “quer subir no meu ombro?” Por que não? Intercâmbio é para essas coisas.

 Só lembro de 1. tentar não cair; 2. observar meio boba a Florence, que mais parecia uma fada com um vestido branco correndo de um lado para o outro do palco; 3. sentir a multidão na minha frente e aos meus pés, enquanto a música tocava e as luzes varriam as milhares de cabecinhas.

 É, intercâmbio é para essas coisas.

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COMENTÁRIOS:

David Andrade

David Andrade comentou 3 anos atrás

Que aventura hemmm!! :)

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