Como era mochilar em 2004 sem determinadas tecnologias.


  Buenos Aires

Hoje é tudo muto simples. Você entra aqui no Dubbi, lança uma dúvida e um monte de gente te ajuda com dicas. Mas como será que era há 14 anos? Eu voltei no tempo e começei a relembrar do meu primeiro mochilão e percebi que tanta coisa mudou nesses 14 anos. Não tinha espaço para muitas incertezas.  Ou a gente ía ou ficava por aqui, tentando um pacote promocional da CVV. Mas nunca tive a sorte de achar um pacote no mês de julho com um preço aprazível.  Era tudo muito caro e o salarinho de professora era menor ainda. Continuo como professora, mas é muito fácil viajar nessa época. Quer saber como era? É só ler as lembranças do meu primeiro mochilão e as tecnologias da época (pelo menos foi as que eu utilizei - rs):

Quando se mochila em 2004, com pouco dinheiro e dois filhos (8 e 10 anos)  a tira-colo, onde tecnicamente você tem que multiplicar tudo por 3, sem direito a "meia entrada"Lina Ramos adicionou foto de Buenos Aires Foto 1

 Sobre transportes:

Avião? Tá louco? 3 passagens em julho, na alta? nem sonhando, né?

Não me pergunte porque, mas eu comprei as passagens de  ônibus pela Pluma para Buenos Aires, só de ida.  Realmente não entendi porque não comprei a volta.  Não sei tinha aquela cultura de comprar ida a volta, talvez. Ou foi inexperiência minha. O grande erro foi comprar por essa companhia. Devia ter comprado pela Crucero, mas na época nem Orkut eu usava. Foi algo muito  às cegas.

Foram 33 horas dentro de um ônibus. A parte boa é que a rodoviária era na região central de Buenos Aires, daí foi  bem tranquilo tomar um táxi até o hostel que ía ficar hospedada. A parte insana é que quando fui comprar a passagem de volta, não tinha para o dia que queria voltar. Tive que estender minha viagem por mais 3 dias. Sorte que tinha vaga no hostel vagas para os 3 dias excedentes. Minha agonia foi saber se o dinheiro esticaria também para esses três dias.

Táxi honesto:

Depois de conhecer os pontos turísticos, como Caminito, Recoleta, etc. decidimos ir ao Walt Mart. Anotei o endereço em um papel pegamos um metrô e fomos para o suposto endereço. Não lembro ao certo se era Quilmes ou Guilmes, mas lembro que estava na rua suposta, só que estava muito distante do número desejado. Também não lembro o nro, mas era tipo... estava no nro 100 e   queria ir para o nro. era 6000. Pensei... vamos pegar um táxi para economizar as pernas. E assim, pedi ao motorista que nos levasse até o WaltMart no endereço do papel. E assim ele começou a rodar, rodar, rodar e o meu estômago embrulhar, embrulhar, embrulhar.  Pensei: - não terei dinheiro para pagar a corrida. Ele rodou pela cidade por mais de 1 hora contando com o trânsito inesperado. Quando avistei o Waltmart senti um alívio. E quando perguntei quando foi a corrida ele disse que era míseros 17 pesos (equivalia 17 reais). Suspirei aliviada... uhhh... Menos mal. Na verdade, tinha lido o endereço errado. A rua que pensei que tivesse o  Waltmart era com Q e a outra era com G, ou vice versa. Eu só sei que fiz uma pequena confusão com as letras... mas no fim deu tudo certo.

 ônibus

Platas, solo platas. Era o que ouvíamos dos motoristas de ônibus naqueles dias, pois não tinha cobradores. Tínhamos que depositar nossas moedinhas  no local indicado para gerar um bilhete e só podia ser  com moedas e não serviam notas. Não curti muito andar de ônibus em Buenos Aires.

 Trem

Achei o trem bem mais luxuoso que o metrô e o detalhe curioso é que eles cobravam por estação. Já o metrô, dependendo do local que a gente ía, peguei uns bem bizarros com bancos e porta de madeira. Parecia um trem fantasma de velho oeste. Penso que hoje não circula mais.Lina Ramos adicionou foto de Buenos Aires Foto 2

Hostel

Booking/Trivago? Que nada... na época usava o site voudemochila. Era o máximo na época. Minha reserva fiz lá. Mas não sabia muitas coisas sobre o hostel:

Sobre o banheiro:  Tudo bem em usar um banheiro comunitário, mas  o local de tomar banho eram três duchas sem divisórias. Embora fosse um banheiro feminino, não queria mostrar minhas partes íntimas para outras mulheres. Minha sorte que o povo não era muito chegado em banho. E nunca vi ninguém usar aquele chuveiro. Ufa

Lembro que nesse hostel tinha uma grande parede, onde você podia deixar a sua marca. Daí foi  uma alegria a gente poder desenhar naquelas paredes na parede.Lina Ramos adicionou foto de Buenos Aires Foto 3

Rolava um baseado no quarto vizinho. Eu passava  pelo quarto com os meninos e tapava os olhos dos dois brincando. Nem pense em usar um desses! Mas a gente acabava aspirando o cheiro da erva rs... quando passava por ali.

O ar quente não funcionava direito. Quase congelava à noite e era uma briga para conseguir Frazatas. Ah... e tinha um time de futebol que estava hospedado lá e fazia uma algazarra no meio da noite.

Wi-fi do hostel? Já existia wi-fi? Sim... mas não era nada popular e não tinha no hostel. O máximo era um computador compartilhado com um monte de gente querendo usar. Não lembro de ter conseguido chegar perto dele.

Comidinhas

Eu realmente não lembro quanto de dinheiro levei na época. Mas deve ter sido muito pouco dinheiro. Só sei que era uma economia muito brava. Comiámos panchos a noite para economizar, pois era o que tinha de mais barato. Ehehe

E para variar, a gente ficava vendo preço de todos restaurantes e quando víamos um preço mais em conta a gente entrava. Mas na hora de pagar, a conta dava bem mais. Eles argumentavam que eram os cubiertos.  Daí, fiquei esperta num outro dia, em outro restaurante perguntei sobre os cubiertos – eles disseram que não cobravam... mas era estranho, pois eram massas e eles cobravam o molho a parte. Vai se entender?  Na maioria das vezes comemos em barraquinhas de  pancho, ou pizzaria, ou mac donalds, onde o preço era o mesmo e sem sustos.

 Buscas

Google maps? Nem em sonho... lembro que do Brasil imprimi mapas das ruas principais de Buenos aires e saia com aquele mapão todo colado de durex em punho nas ruas portenhas tentando localizar tudo.

Lina Ramos adicionou foto de Buenos Aires Foto 4

Google? Que nada... usávamos lista telefônica para descobrir um determinado local para onde queria ir. Liguei para lá do orelhão para obter mais informações e a moça soletrou o endereço para mim. Eu só não contava que tinha a letra Y. Foi um parto descobrir que i griega era o nosso ípissilon.

Celular? Piada né? Eu tinha um, mas servia só para ligar e para o Brasil. Nem levei.  Ahahah... Para me comunicar com o pessoal do Brasil era via orelhão. Daí tinha que se anotar uns códigos que não conseguia lembrar de cor, e o pequeno Felipe foi pedir emprestada uma caneta:

- señor, perdón, podes me emprestar bolígrafo?

 Fotos

Não... eu não tinha uma câmera digital. Era câmera analógica com um rolo de filmes Kodak 36 poses  com filmes, os quais eu mandei revelar depois.

E assim foi meu primeiro mochilão com a cara e com a coragem.

Escrevi algo sobre essa viagem num site antigo que tenho, inclusive o ano está como 2005, mas checando melhor as fotos descobri que foi em 2004:

http://www.linolica.com.br/argentina.htm

http://maemochileira.blogspot.com.br/2014/08/o-primeiro-mochilao-gente-nunca-esquece.html

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