A Jornada do Cipó


  Minas Gerais

Em janeiro desse ano, depois do término mais difícil da minha vida, aceitei o convite da minha mãe e minhas tias trilheiras para ir para Serra do Cipó, uma das mais lindas regiões de Minas. Mesmo um tanto desanimada eu tinha topado, até que na semana anterior da viagem eu bati o dedinho do pé na quina do sofá e quebrei ele! Aahhh puta merda.

Foi nesse momento que eu pensei: Ou eu deixo esse coração e esse dedinho me impedirem de viver ou eu vou quebrada mesmo. O que eu decidi foi seguido por comprar passagens e bastante novalgina.

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Parque Nacional

Foram dois dias de Parque, no primeiro entramos pelo portão Areias e depois de 15 km na Trilha do Vale dos Mascates chegamos a cachoeira da Farofa. Só nessa primeira trilha com suadeira e sol na cabeça já me senti mais saudável e mais leve.


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No segundo dia de parque fizemos a Trilha do Vale do Bocaina, entrando pela portaria do Retiro. Nessa altura eu já estava com o corpo mais acostumado de trilha e demorei muito mais para sentir os primeiros sinais de "to cansada". O caminho todo teve pouca conversa, minha mãe e minhas tias sabiam bem que eu estava mais para ficar em silêncio e assim eu fui, meditando e viajando comigo.

Com uma trilha de 10 km chegamos na cachoeira do Gavião e eu fiquei encantada, um poço muito transparente e uma queda miúda que me fizeram sentir em uma piscina gigante. Todas as cachoeiras e lagos do parque tem uma cor amarelada e são tão limpas que dava pra enxergar os peixinhos dando mordidinhas no meu pé.

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Lapinha da Serra


Minha primeira impressão de Lapinha foi de uma cidade abandonada, juro que tinham mais cavalos e cachorros soltos nas ruas que moradores. Mas depois desse choque, estacionei o carro, desci uma estradinha de terra meu queixo caiu. Fiquei absolutamente sem palavras e estou sem elas até agora. O que eu vi foram montanhas brancas bem altas que refletiam em alguns grandes lagos causando esse efeito em mim. Deste ponto é possível fazer a famosa Travessia Lapinha-Tabuleiros que dura uns 3 dias e leva os viajantes para a maior cachoeira do Brasil. Essa acabou ficando pra próxima, mas nós fomos até a Cachoeira do lageado. Fiz a trilha num passo firme justamente para ir sozinha, com isso cheguei antes. Meio zonza de tanto sol, dei um mergulho delicioso. Quando elas chegaram soltaram uma notícia: vamos voltar de barco!

Não acreditei, afinal, não tinha ninguém na trilha toda! Mas era pra acreditar, no caminho ela conheceu o Cristiano, que tinha uma casinha na montanha e costumava levar as pessoas de volta. Descobri depois que o pai dele de 70 anos vai e volta de Lapinha pra cachoeira todo dia de chinelo, 15 km, e eu me achando a trilheira..

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O barco na verdade era uma canoa enferrujada levada por um bambu bem comprido que ao empurrar o solo do lago, levava o barco pra frente. Foi uma volta tão lenta quanto bonita. Na real, eu me senti bem mal em estar sentada enquanto ele fazia uma força hercúlea para “remar”, mas ele falou que estava acostumado e achava bom que fazia exercício (nossa).

No caminho ele falou que os moradores de Lapinha da Serra ( que não tem prefeito) tinham se organizado para entrar com uma ação contra a CEMIG (companhia energética de Minas Gerais) Pois, segundo ele, a companhia utiliza a água de Lapinha da Serra e desde que essa prática começou, os lindíssimos lagos diminuíram muito de volume. - Fica aqui minha indignação-

Quando você for pra lá (vá para lá) você vai conhecer a mesma galera que eu, parece que uma família só é dona da cidade. O restaurante da mãe do Cristiano foi uma incrível surpresa: vários legumes e verduras além de um arroz feijão mineiro incrível...pode ser a fome da trilha falando mas aquela beterraba estava realmente boa.

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Voltamos pra pousada e nesse dia minha mãe e minhas tias, que são muito de conversar, ficaram amigas de uma menina da pousada, a Milena.

Cachoeira Grande 


Nosso terceiro dia foi na cachoeira grande, uma cachoeira separada e paga, mas que vale a pena!

Ela fica bem em frente a pousada e foi usada para nosso "day off" de trilha. Afinal, meu dedinho estava quebrado. As bolhas e assaduras estavam aparecendo ao mesmo tempo que os outros machucados estavam sarando. Ah, o nome dessa belezura é também um spoiler: A cachoeira é bem grande

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Cachoeira do Pedrão

A pousada que ficamos é a coisa mais linda do mundo, se chama Solar dos Ipês e eu super recomendo.

Nesse dia, na pousada, fiquei mais amiga da Milena. Ela me contou um pouco sobre o namorado dela e a cidade do mato grosso que ela mora, eu contei um pouco do meu término e percebi que ela tinha uma visão muito mais prática das coisas da vida, e com uma animação total ela me apresentou o seu irmão, Henrique.    

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Fizemos uma trilha de menos de 20 minutos chegamos na cachoeira do Pedrão, que tem esse nome por causa de uma pedra gigante que o povo pula de cima. O Henrique pulou de lá - nossa que corajoso - Voltamos e a Milena me convidou para jantar na cozinha da Pousada, eles eram parentes do Dono. Meu dia tinha sido longo e eu fui pro quarto mais cedo.

Pedra do Elefante

No dia seguinte pegamos o carro e chegamos em uma pousada na beira da Pedra do Elefante. A dona da pousada estava crente que nós não conseguiríamos chegar até lá e pediu para a filha fazer um mapinha pra gente. Quase que falei que não precisaria, que bom que eu fiquei quieta, porque mesmo com um mapa, depois de andar uns 5 km começamos a ouvir um sertanejo universitário...nada contra, eu adoro! Mas no meio de uma trilha isso é um mau sinal. Entramos na casa com a música e depois de passar uma ponte vi uma mulher andando de um lado para o outro no campinho de futebol..ela usava uma saia longa branca e os cabelos bem longos em uma trança. Ela não respondeu ao meu bom dia e parecia que ela estava totalmente perdida no tempo. Enquanto isso minha mãe estava pegando informação com um homem e eu, meio tensa com a situação cerrei os punhos e fui atrás dos dois pronta para tudo (estávamos no meio do nada). Quando cheguei perto entendi, ele estava mostrando um pé de Ora-Pró-Nobis lindo pra minha mãe, deu mais meia dúzia de informações e seguimos viagem. Ufa!

A trilha é bem íngreme e bonita, subimos na Pedra do Elefante (que parece muito muito muito um bebê Elefante) até uma mini cachoeirinha e na volta rolou um mergulho em um piscinão natural com a mesma cor amarelada e os mesmos peixinhos.

Tomamos uma cerveja de trigo gelada na pousada do Elefante e voltamos para casa, sim naquela altura eu já estava chamando nosso quarto da pousada com algumas comidas do mercado e talheres “emprestados” de casa.

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Nessa noite a Milena me contou que tinha brigado com o namorado por que ele tinha ido para uma festa e ela tinha medo que ele ficasse com alguma menina. Nessa mesma conversa ela disse que se fosse para BH iria em uma balada com certeza. Quando eu perguntei se ela ficaria com algum cara lá, ela falou que dependia..vai entender...

Inhotim


Inhotim foi um passeio alheio a toda a viagem, eu estava a uns 4 dias totalmente no meio do mato pra ver depois carros, pessoas e um Instituto que me surpreendeu e me encheu de inspiração. Brumadinho é meio longe da Serra do Cipó, chegamos inclusive a passar de novo por BH, mas valeu a pena por que Inhotim é parada obrigatória para arquitetos, artistas, publicitários, paisagistas e todo mundo!

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O que mais me impressionou foi a quantidade de espécies diferentes de plantas e como eram dispostas pelo parque. Me apaixonei pelas cores, pelos sons e por todas as construções. Confesso que me amarrei mais no paisagismo e arquitetura que nas exposições, mas pode ser só eu.

Acho que Inhotim vale uma visita de uns 2 ou 3 dias...pra conhecer tudo e entrar realmente nas instalações. A lojinha da saída é incrível, todas as peças eram bacanudas e com um design diferente.Nós fomos em um dia naquele pique de engolir Inhotim inteiro mas não funciona bem assim. Entramos no carro e voltamos para o mato. Também foi uma delícia.

Serra Morena

Ah, Serra Morena.

Esse foi um passeio que quase não fizemos pela distância e por ser o penúltimo dia da viagem ( que bom que fizemos). A trilha era de dificuldade média e quando alcancei o topo dela, depois das últimas pedras e vi a cachoeira eu chorei. O choro veio meio fácil pelo cansaço, afinal todos esses dias de trilha tinham sido puxados. Eu tinha me cansado fisicamente mas também tinha pensado muito muito e repensado, e pensado de novo. Foi um choro de exaustão geral que quando passou deu lugar para uma sensação de alívio libertadora. Eu estava olhando pra cachoeira mais bonita que eu já vi na minha vida, até anotei as coordenadas: 43º-44ºW, 19º-20ºS. Como nas outras coisas que falei, talvez essa não seja a sua cachoeira, mas foi a minha. Um poço gigaante com água que não acabava, lindo, lindo, lindo. Nadei até a queda e aquele banho me limpou até hoje ele. Na volta eu já era outra pessoa, meu rosto tinha mudado e eu estava mais sorridente, eu que tanto estava fazendo as trilhas sozinha agarrei na minha mãe com um abraço demorado e também fiquei perto das minhas tias para conversar e ouvir as histórias delas. Estava tudo menos complicado, mais fácil e a sensação era de paz e bem estar.

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Voltamos para pousada e descobri que a Milena estava doente, ah queria muito contar pra ela como eu estava melhor. Uma pena...até que eu recebi uma mensagem. Henrique Milena: Vamo toma uma?  - Foram umas 5.


No dia seguinte a viagem tinha acabado e eu na verdade estava com vergonha de ir me despedir da Milena e do Henrique, coisa minha mesmo….só sei que tive aquele um minuto de coragem e bati na porta deles. Ninguém atendeu..pensei pronto, não era pra ser. Peguei meu mochilão e fui andando para o carro. Estavam os dois lá, me esperando para despedir e conversando com a minha Mãe. A Milena mesmo doente estava em pé com sua caixa de lenços e o Henrique estava meio tímido como eu. Me despedi deles, entrei no carro e minha mãe falou dirigindo:

- Essa viagem fez bem pra você né Raquel?

Ela virou pra frente e eu dei um sorrisinho.

- - - -

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COMENTÁRIOS:

Caio Martins

Caio Martins comentou 2 anos atrás

Muito legal Raquel! Que viagem ein! Inhotim tá nos meus planos!

Juh Oliveira

Juh Oliveira comentou 2 anos atrás

Adorei!! Minas tem tantos lugares lindos e esse entrou pra lista tb!

Sola no Mundo

Sola no Mundo  comentou 2 anos atrás

Que legal! Juh e Caio vale muito a pena essa jornada!

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